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Registrar as diversas sensações que a música causa no ser humano é o ideal do Projeto Livro de Cabeceira

Primeira foto do projeto. Musica: Getting Better – The Beatles, 1967, Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band

“Você pode cantar, mas ninguém vai ver o que a música faz com você”. Com esta frase finalizei o último gole do pingado na padaria da antiga rotatória da cidade. Conheci o fotógrafo Luiz Rodrigues no Bar.Bearia, na noite em que considerava a vida tediosa.

O som do Rock Billy misturava-se com o “clic” da câmera fotográfica. Uma caneta preta desenhava letras de música no corpo dos curiosos e a luz de um dos suportes de teto do bar focava a retrato. Neste momento o tédio deu evasão ao interesse curioso, que veio acompanhado da força de expressão.

Musica: Cabide – Ana Carolina, 2008, Dois Quartos

Na quarta-feira seguinte, às 9h, encontrei-me com Luiz Rodrigues na padaria. O sol chegava timidamente, as moças limpavam o chão do estabelecimento, algumas pessoas no balcão tomavam o café da manhã e, ao adentrar, à visto Luiz concentrado assistindo o jornal da manhã, esperando-me.

Pauta do manhã de quarta-feira: Projeto Livro de Cabeceira.

“A ideia surgiu de um jeito bem interessante há um tempo atrás. Sempre que faço a barba encho a pia com água morna e ali mesmo, frente ao espelho,  vou me barbeando. Neste dia olhei para o meu braço – (o direito) – e vi essa tatuagem que tenho com a letra da música do Beatles. Peguei a espuma de barbear  e a coloquei na outra mão – (à esquerda) –. Na hora liguei uma coisa na outra e visualizei a foto. Depois de alguns meses com a ideia na cabeça, peguei a câmera e fiz o primeiro registro do projeto”.

Pé vermelho de nascença. Foi criado em São Paulo. Aos 16 anos intercambista. Aos 22 anos partiu para Londres e retornou aos 30,  em  janeiro deste ano (2012). Na Europa fotografou moda, casamento e fez alguns books. O projeto está vivo e tem dado um retorno positiva à cada semana. Fotografando quando dá às quintas-feiras no Bar.Bearia, com a mesma caneta preta e a mesma máquina, Luiz já registrou 75 músicas e pessoas diferentes.

Musica: Blood – Hocus Pocus, 2012, Single.

“A maioria das letras que o pessoal escreve no corpo são do Cazuza, Legião Urbana, Beatles, Los Hermanos e Chico Buarque, esses cinco estão em todas. A arte é livre, irrestrita. A música é abstrata, ampla, muito parecida com a fotografia. Você pode cantar a música mil vezes, mas ninguém vai ver o que você está vendo nela. Somente o cara que compôs a melodia e a letra vai saber a coisa da música, mas quando outra pessoa ouve isso já toma uma proporção diferente, é pessoal, é algo seu (abraça as mãos e traz perto do peito).

Musica: Casa Pré-Fabricada – Los Hermanos, 2001, Bloco do Eu Sozinho.

É isso que quero comunicar com o projeto, por exemplo, meu primo de cinco anos quis escrever a música do Iron Maiden no braço, Fear Of The Dark. Eu perguntei à ele por qual motivo faria isso. Afinal de contas, é uma criança de cinco anos. Sabe o que ele me disse? (balancei a cabeça negativamente e ansiosa esperei a resposta). “- Porque toda criança tem medo do escuro né?”. Noooossa, eu achei aquilo incrível! Porra o muleke tem cinco anos cara!

Sabe, é isso que me motiva a fazer este projeto. Faz todo um sentido pra ele, saca. É outra coisa. A música é uma via de duas mãos, só entende 100% quem compõe, quando você compartilha com o mundo ela se transforma. É essa a mensagem que eu quero passar”.

O café expresso foi a saidera, o sol já estava alto e o almoço havia de ser preparado. Luiz Rodriguez, na manha da última quarta-feira, explicou a inquietação que o move a apertar o botão no  “Projeto Livro de Cabeira”.

Musica: Satisfação – Lulu Santos, 1988, Toda Forma de Amor

Quer participar?

Curta a Fanpage do Projeto e fique atento aos ensaios fotográficos que rolam na cidade.

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