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“Trabalhar é um desafio, mas a frustração se torna menor quando você faz o que gosta”, diz o estilista Pernambucano

 “O que vocês querem saber? Eu conto tudo!”. Com esta frase inicia-se o segundo dia da Semana de Moda Unisanta (Unisanta), realizada do dia 29 de maio ao dia 01 de junho.

O estilista brasileiro, Walério Araújo, 42 anos, conta sua trajetória profissional, fala das clientes famosas, São Paulo Fashion Week e não descarta possibilidades de envolver-se com a Fast Fashion.

 Começo da Carreira

“Eu fiz um curso por correspondência primeiro, final dos anos 70, mais ou menos. Faz às contas, eu sou do dia 12 de abril de 1970. Naquela época não tinhas essas coisas todas que tem hoje em dia. Daí, eu fiz o que tinha né! [sorri].

Eu sempre desenhei, desde molequinho. Acredita que eu quem fez a decoração da minha festa de aniversário aos 09 anos. Sem contar os desenhos que fazia de roupa prasamiga.

Quando eu completei 18 anos fui há São Paulo me profissionalizar em moda. Quando o curso acabou voltei à minha terra. Lá (interior de Pernambuco), um amigo me arrumou emprego numa loja de tecido.

Foi nessa loja de tecido que eu a aprendei o que é renda, tafetá, seda. Aprendi todos os tipos de tecido. Desenhava vestido de madrinha de casamento, mãe de santo, debutante, noivas, desenhava tudo que aparecia. [Risos]. “Comecei assim, não tenho vergonha de falar não”.

Colhendo o investimento

Depois de um tempo Walério retornou a São Paulo e começou a confeccionar roupas de marca própria e vendê-las na Rua 25 de março, em São Paulo.

“Minha primeira cliente famosa foi a Elke Maravilha, ela me dizia que eu podia fazer roupa de qualquer cor para ela, menos marrom e azul. Pois eu fiz a Elke gostar de azul e marrom”. [Risos].

Nessa mesma época o estilista começou a participar do Mundo Mercado Mix – evento paulista de âmbito internacional que reúne novos talentos da moda, música e cultura, da São Paulo -.

“Eu participei de vários desfiles no Mercado Mix, junto com o João Pimenta, Herchcovitch e outros nomes. Sempre gostei. Foi fazendo desfile que entendi melhor a funcionalidade das peças, porque pra confeccionar roupas para um desfile você tem que fazer peças avulsas. Calça, saia, blusa, vários looks para entrar na passarela. Hoje eu participo dos desfiles da Casa de Criadores (que está em sua 31°edição)”.


SPFW

“Sempre me fazem essa pergunta”. Refere-se a um participante, quando questionado sobre o São Paulo Fashion Week.

“Eu estou feliz com o rumo que minha vida tem. SPFW é muito comercial, as pessoas reclamam da falta de conceito, e olhe para minhas peças é total conceito. Na casa de Criadores você pode ser mais livre para criar.

E tem o fator custo também, é super caro desfilar no evento. É tipo, em torno de 200, 300mil. Além de tem que organizar tudo, levar tudo pra lá, depois desorganizar e trazer de volta para o ateliê.  Eu prefiro ficar na minha, quietinho, estou há 16 edições na Casa de Criadores, não quero sair de lá. Está bom assim. Mais simples.

Reprodução

Moda

“A moda é explorar, estimular o desejo. Não tem o vestido de tal marca, mas tem o perfume. Trabalhar é um desafio, mas a frustração se torna menor quando você faz o que gosta.

Foi assim que ganhei o respeito dos estilistas tradicionais e não tradicionais. Não vou mudar. Sempre assisti concurso de Miss, colecionava imagem de santo. Acho que sou um chic despretensioso.

Sempre trabalhei com mais três costureiras, então sou eu e mais três que estão comigo desde a 25 de março. Brinco que nosso trabalho é trabalho de peso. Porque é canutilho por canutilho, paetê por paetê pregado ali, trouxemos de nossa terra a paciência, é mão de obra demais, tem que gostar do que faz mesmo.

Foto Blog Nas Ruas de Santos

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