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Se você leitor vivenciou, assim como eu, um casamento feliz de seus pais, ou que adora canções de amor, filmes e novelas românticas, sinta-se bem vindo para compartilhar. Tomo o titulo emprestado de um colega psicanalista, estreando assim no blog.


Quem seria esta nova vítima? São filhos de uma família estruturada, cujo pai amou somente a mãe, a respeitando e esta, por sinal, o respeitou e o amou. Aquela criatura que ficou fora do triangulo edípico (sabe aquela historia, de um cara chamado Édipo que se apaixonou por Jocasta, sem saber que ela era sua mãe?) Pois é… ficar fora disto significa (a grosso modo) que você terá que sair na vida a procura de um par amoroso que não seja mais seu pai ou sua mãe.

Você pode me dizer que isso acontece com todo mundo, certo? Bom… não bem assim que tenho escutado. Casais que estão juntos para cumprirem um único papel para com o outro: ver quem humilha mais, quem agride mais, quem falha mais, numa competição que não existe vencedor, apenas perdedor, ambos afastados em seu desejo, paralisados um relacionamento que já deu bye bye ao amor. Vitimas de seus próprios sintomas, acabam por eclodir no filho o resultado destes relacionamentos devastadores e as consequências são as mais desastrosas possíveis. Infelizmente, você já deve ter ouvido ou vivido uma história parecida a esta.

E os filhos de relacionamentos bem sucedidos? Não prego a existência de relacionamentos perfeitos, em que nunca houve briga, caras feias, mas daquele casal que, apesar dos pesares, conseguiu se adaptar bem com a diferença de um e de outro. Também não é de uma comparação filhos de relacionamentos saudáveis com filhos destes relacionamentos devastadores que se trata, o que quero dizer é que tanto para um quanto para outro, há efeitos sobre o sujeito.

Tornamos vitimas também destas relações felizes, reféns da proliferação de livros e filmes românticos que propõe um ideal a ser seguido, algo fácil de ser alcançado e construído. Pode acontecer com qualquer um, comigo e com você de, de repente a uma ida ao supermercado, na fila do cinema, no aeroporto (os cenários são os mais inusitados possíveis) encontrar o amor de sua vida! Mas na verdade, na vida real, longe das telas, estamos presos nos afazeres e obrigações do cotidiano, a fila de supermercado que não anda, a disputa de pegar o melhor lugar no cinema, o olhar de minuto a minuto no painel para a confirmação do voo. Quem dera se minha vida fosse um filme de Hollywood!

Longe de todo o glamour, encontramos histórias de sujeitos que fracassaram nesta tentativa, que desistiram desta busca, recolhendo cacos de relações frágeis, buscando entender o que aconteceu para ter chego ao fim, se culpabilizando ou culpabilizando o outro. Vão para análise buscar este traço, esta peça que ficou para trás, resgatar a história que passou, recontar diversas vezes a mesma cena na finalidade de buscar um sentido, uma (re)significação.

O encontro com um par amoroso dá trabalho… e sim, é difícil fazer com que a relação dê certo! Afinal, quem não procura isto? Quem não quer isto? Pois somos vítimas de um casamento feliz, representado tanto na relação parental quanto nos filmes e nas canções de amor. Ao contrário que remete a palavra “vitima” de um assujeitamento, passividade em relação às agruras da vida…  queremos e ansiamos para que isto aconteça com a gente, para que tenhamos um momento de glória digna de novelas mexicanas! Ser vitima neste caso é o que nos mobiliza, nos motiva a trabalhar por isso, de tentar fazer-acontecer.

Não existe uma relação perfeita sem que haja todo um trabalho de construção por trás disso e, é na vida… com todos os percalços, desvios e tombos que isto se torna possível.

 Texto Michelly Hattori Fuziy

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