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Após passar cinco madrugadas escrevendo, Felipe Pauluk fala sobre dia-a-dia, família, criação, paternidade e revela curiosidades 

Reprodução da Foto de Olga Leiria para Folha de Londrina

ENCONTRO marcado na padaria Pão Pérola em Cambé – cidade vizinha de Londrina – às 9h da manhã de quarta-feira. Este foi o combinado. Saio da redação e chego antes que o entrevistado. Peço um café expresso, por hábito, devia ter pedido um carioca.

Estava sentada na última mesa da padaria, a manhã era fria, o céu nublado e a fumaça do café subia. Entraram uma, duas, três pessoas no interior da ostra. Mas a pérola não havia de chegar. Olhei para o celular, marcava 9h15. Decidi esperá-lo até às 9h30.

Felipe Pauluk, 28 anos, escritor e poeta há 18. Neste sábado, posterior ao dia da entrevista, lança seu primeiro romance “Hit The Road, Jack”, pela Editora Faces, com pocket show da banda Brazilian Cajuns, na Revistaria Odisséia.

Arte da capa Giulia Willcox. Foto da capa Renata Cabrera.

No baú das palavras, Felipe guarda uma saga literária composta de cinco livros. Tem pronto mais dois romances, dois fragmentos e um livro infantil. Nascido em Curitiba, criado em Florianópolis hoje reside em Cambé e é livre de preconceitos por isso.

Filho de mãe baiana e pai paranaense têm avós descendentes da Ucrânia. Segundo filho de mais três irmãos, perdeu seu reinado aos 12 anos e faz questão de falar que é o caçula. “Sou o caçula, mas entre os meninos”.

Deixando rastro do Jack nos principais veículos de comunicação da cidade, na entrevista exclusiva ao Blog, Felipe fala sobre dia-a-dia, família, processo de criação, paternidade, e claro, do Jack.

Na Pérola de Cambé, tomei mais um gole do café e abri a garrafa de água, olhei ao lado. Caminhando apressado ele vinha com rosto sorridente e risadas disfarçadas, camisa de botão azul clara, cardigan verde e corrente de cafajeste.

– To chegando, to chegando! [Risos]
– Bom dia!
– Bom dia!

Na estrada surgiu, Jack

Zaion e Felipe na rua. Foto acervo pessoal.

“Meu dia começa cedo, levanta às 06h15 da amanhã. Gosto da parte manhã. Gosto de caminhar pela rua. Uma vez ouvi que “os melhores livros são escritos pelos pés”, aí eu caminho.

Caminho ao redor da igreja, sento no calçadão para conversar com estes

senhores, [havia alguns deles do outro lado da rua] é massa falar com eles, rola umas conversas boas.

Eu moro com meu filho né, [Zaion tem três anos e belíssimos olhos azuis] o levo para a escola todo dia de manhã, ele entra às 8h. Às vezes ele quer ir sentado em meus ombros, o carrego, e vamos conversando e olhando o movimento. Quem me vê, acha que não, mas têm horas que sou cozinheiro, costureiro e até lavadeiro.  [Sorri timidamente].

No começo eu tinha vergonha de assumir que moro aqui. Bobagem! Eu gosto daqui, gosto de ver as pessoas no calçadão conversando. Gosto dessa tranqüilidade. Hoje falo sem problema: Eu moro em Cambé”.

Enquanto ouvia-me falar tomou mais um longo gole de café. Olhou para baixo, depois olhou calmamente para o lado esquerdo, com os braços cruzados atrás do copo e próximo ao corpo, disse-me:Relembro Pauluk da vez que afirmou gostar da de freqüentar a vida noturna. Observar as pessoas, o jeito que cada um chega e sai do bar, ficar fora da realidade do momento, apenas observar. Perguntei se isso o ajudava na escrita. No momento, ele afirmou, mas sem saber se expressar direito, disse que significava algo mais.

“A verdade é que eu estou de saco cheio do mundo um pouco. Pela busca


constante do ser humano, eu já fui hippie e usei vários dreads no cabelo. Experimentei me enquadrar em várias tribos, mas até quando você faz isso tem que assumir posturas e atitudes específicas deste contexto. A vida é feita de máscaras, não adianta”.

Hoje, Felipe se considera mais seleto. “Prefiro ficar de fora para não contaminar o mundo. As coisas se desvalorizaram muito, não quero contaminar ainda mais o mundo. Prefiro ficar na defensiva.

Ter um filho faz você enxergar o mundo com quatro olhos. Dois seus dois dele. Você começa a selecionar as pessoas e as coisas. Você pensa: Será que essa pessoa seria um bom amigo para meu filho? Será que ela vai boa companhia para o Zaion? Entende.

[Digo que sim com a cabeça]

Você se torna mais seleto…

Eu queria ter tido uma família daquelas que se reúnem todo domingo para almoçar, daquelas que tocam samba, que mesmo conversando e/ou brigando estão juntas.Eu não tive apoio para escrever. Meus pais não me incentivaram. Sabe aquela coisa de ler seus textos e dar um Feedback? Não rolou isso.

Minha família é nômade. Eu nasci em Curitiba e fui criado em Florianópolis, fiz faculdade lá. Conheci gente de todos os tipos, jeitos, lugares, vi muita gente na vida. Mas, mesmo que eu não tenha esse conceito familiar eu procuro passar isso ao Zaion. A importância de almoçar junto, reunir a família, mesmo que seja só no domingo.

Levo meu filho para o colégio todo dia. Que pai faz isso? Almoçamos juntos todos os dias. [Conclui o pensamento chegando a uma grande conclusão]. Talvez, na nossa vida, o almoço de domingo seja todos os dias.”

Magia de Jackniana

Escrito em apenas cinco madrugadas, o romance “Hit The Road, Jack” contém 114 páginas. O nome do livro é o mesmo da música de Ray Charles, que foi trilha sonora do filme “Armações do amor”, entre vários outros.

“Eu não queria um romance enjoativo. A gente tem a ideia de que escrever um romance precisa demorar dias, meses e até anos. Queria algo rápido para não enjoar. Após muita caminhada matutina, resolvi sentar em frente ao computador e escrevê-lo.

Então, o escrevi em primeira pessoa, dinâmico, reflexivo, rápido e independente da poesia, até tem um pouco de poesia, mas não tanta.  O Jack marca meu amadurecimento literário”.

Chamei-o de Guloso, devido à rapidez com a qual escreveu.[Ele rebateu]. “A gula engorda a alma”.


Informações:

Livro: Hit The Road, Jack

Quanto: R$25,00

Endereço: Av. Jorge Casoni, 2242 – CentroLondrina.

Telefone: (43) 3027-4250

Fotos Acervo pessoal.

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