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Apaixonado pela música, ele fala sobre a criação do projeto, participação no Fejacan e revela algumas curiosidades musicais

Foto Bernardo Sardi

Guiada pelo cheiro das flores de jasmim, estacionei meu carro em frente a casa de Fábio Brinholli. O garoto dos “porquês” cresceu. E buscando descobrir as respostas deu origem ao “Meu Jardim”, nome de seu primeiro DVD.

Designer Arthur Duarte

Minha entrevista com Fábio foi devido à minha inquietação jornalística de questionar, por qual motivo nenhum jornal local mencionou o fato de um músico londrinense participar do Festival Jacarezinhense da Canção (Fejacan), nem menção sobre o projeto, que é um resgate da Música Popular Brasileira para o cenário musical da cidade.

Lembro-me da época de faculdade quando alguém gritava ao fundo: “São sempre os mesmos!”. Incomoda-me o movimento das mesmas coisas. Por isso, sinto-me honrada em compartilhar o que há de novo nesta geração. O novo assusta, mas não é preciso ter medo. “Não somos tão diferentes um dos outros quanto parecemos”. Quando Fábio, que também é psicólogo, me disse isso, fez-me um sentido grande.

Portanto, em meu jardim conto um pouco da história de vida de um músico londrinense e brasileiro, que anda car-pinta-ando nos jardins da MPB.

Fábio Brinholli, 28 anos, formado em psicologia, sempre foi apaixonado pela liberdade.  E, como som não se engaiola, apaixonou-se perdidamente pelo violão. Na entrevista ele conta como foi este amor repentino pelo instrumento, agradece as várias mãos que o ajudaram e fala como a saída da Banda Bella Donna o ajudou na produção do “Meu Jardim”. Mas, não revela o mistério da fonte de inspiração para suas canções, letras e melodias.

As xícaras coloridas com alças de coração sobre a mesa amadeirada construíam o cenário da entrevista. Eu sentada, enquanto ele ajeitava as coisas do café na cozinha, conversávamos.

Foto Vitor Daguano

A água fervendo: Música para quem vive.

Quando pronunciei a palavra projeto, ele se apressou em justificar o motivo pelo qual não ia ficar explicando suas músicas e nem o motivo de suas letras. “Odeio quando alguém me pergunta isso! As músicas não são mais minhas. A partir do momento que às passei para frente elas são de vocês (do público). E sabe por quê? Vou te falar. Uma vez…

Um amigo veio me comentar que não sabia que a música “¿Falta?” era minha. Veio todo surpreso me contando que a namorada colocou esta música para ele ouvir. Ela pediu que ele prestasse atenção na letra e fechasse os olhos.Durante o tempo da música passou um filme na cabeça dele, ele se lembrou de vários momentos da vida. Disse-me que ficou tão emocionado que até chorou. A música é isso! Neste caso, em especial, fez todo um sentido para ele, teve todo um significado, uma coisa, foi o momento dele.

Isso que é bacana sabe, quando a pessoa se identifica, quando a música faz parte da vida de alguém. Acho tão bonito isso. Tem que ser algo natural. Não quero obrigar ninguém a ouvir minhas músicas”.

 Passando o café: O amor pelo violão foi à primeira vista.

“Esse instrumento especificamente me tocou. Eu tinha 12 anos, estava na casa de um amigo quando vi um violão. Foi à primeira vez. No momento em que escutei o som dele… Nossa, achei aquilo incrível! Uma coisa de outro mundo. Voltei para casa correndo pedir um para minha mãe, mas ela não queria me dar. Então fui procurar na família, em casa de tia, primo e acabei achando um perdido na casa da minha avó e o salvei. Tempo depois, mesmo contrariada minha mãe acabou me dando um violão. Sabe criança que quer fazer tudo, mas não leva a sério?

{Consciente com a cabeça.}

Foto Victor Daguano

Então”.

A música em sua vida tornou-se uma brincadeira séria. “Como eu não sabia tocar ia até a banca de revista, olhava as cifras naquelas revistinhas, voltava correndo para casa e tentava reproduzi-las igualzinho no violão. Até eu conseguir decorar uma música inteira levou muito tempo, levava dias fazendo isso”. {Risos}

Aos 16 foi estudar uma temporada nos Estados Unidos, e por lá se envolveu em alguns corais de igreja, aprendendo as técnicas de voz. Na volta à Londrina, após um ano, decidiu montar uma banda “DJar Floo não deu certo. Ninguém sabia escrever o nome, o pessoal acha que era DJ, por que começa com DJ, nossa foi um rolo, não deu certo”.

Depois foi a vez de subir aos palcos integrando a Banda Bella Donna. Na época, a banda era composta de mais três integrantes, onde era o vocalista. Conhecida pela música “Põe Devagar…”, fez parte da banda por 10 anos, mas, com a falta de seu amor inseparável, o violão, decidiu sair.

“Foi quando parei para me escutar, quando fui público de mim mesmo. Não consigo cantar só por um ideal. Eu sempre me pergunto “o que eu quero com isso?”. Aprendi a mentir menos. Quando ouvi a frase “Canta tua aldeia e serás universal”, nossa, isso me fez um sentido tão grande. A música é um ansiolítico. Para mim ela é um destino para a angústia. Por isso tem esse efeito calmante, ansiolítico”.

 Primeira xícara: O Fejacan

O rapaz, que não se considera músico, subiu ao palco do Festival de Música Popular Brasileira de Jacarezinho (Fejacan), em 2011, com a canção “Homem em Construção”. “Não me considero um músico me considero um arteiro”.

Entre os 28 compositores e músicos selecionados pela curadoria do evento, o londrinense fez as honras da casa ao ser o ÚNICO a representar a cidade. “Estar ali com aquele monte de gente olhando para você. Aquele público imenso sentado em suas cadeiras esperando você cantar. Foi uma sensação incrível! No teatro a gente aposta em uma linguagem diferente. Foi muito bacana”.

Foto SESC

Foto SESC

Foto - Cassiano Vital

O Fejacan é um Festival de Música Popular Brasileira promovido pela prefeitura da cidade de Jacarezinho em parceria com o Serviço Social do Comércio {SESC} e tem o objetivo de contribuir para o desenvolvimento da produção musical do Paraná, e outras diversas regiões do país, especialmente aquelas que resultam de processos de pesquisa e que estão relacionadas ao aprofundamento do uso da linguagem musical.

Que Brinholli compõe não é novidade. A autoria da música “Meu Lugar” cantada pela Banda Naxx é do rapaz.

Aos seus olhos “esses festivais valorizam músico comprometido com a cultura literária musical, além de favorece uma resposta a essa cultura de massa”. {Como dizia o siri do filme da Walt Disney, A pequena Sereia. “Se você quer uma coisa bem feita, tem que fazer você mesmo”.}.

Segunda xícara: A jardinagem do “Meu jardim”.

Brinholli já revelou que a música é um ansiolítico. A produção do DVD foi realizada dentro desta calmaria. ““Meu Jardim” teve uma participação coletiva, cada um viu que poderia contribuir de alguma forma e assim se fez este DVD que você vê por aí”.

Ele conta que estava produzindo suas músicas ali. Sentado em seu canto. Misturando as notas musicais que inventava com as que aprendeu nas revistinhas, quando o amigo Bernardo Sardi teve a ideia de mexer os pauzinho e teve a iniciativa de participar da obra. “Agradeço a Bernardo Sardi que pousou na minha janela e me convidou para voar”. Abre o agradecimento na contra Capa do DVD.

São 14 músicas que a “psicologia contribuiu de maneira direta a curiosidade que eu tenho pelas Coisas”. Com uma divulgação mais estratégica você pode ouvir o DVD pelas plataformas TRAMA VIRTUAL e OI NOVO SOM. Embaixo a música “Alagado” mostra o que há de melhor em seu DVD.

Seguro de si, diz não se incomodar com as brincadeiras dos amigos pelo modo do qual segura o violão. “O pessoal fica falando que eu seguro o violão alto demais, que parece de dupla sertaneja, mas sabe por que eu faço isso? Porque eu gosto que o furo fique na altura do coração”.

“Meu jardim”

Produção:

Gravado, Mixado e Masteurizado: PlayRecPause Estúdio

Direção e Direção de Fotografia: Bernardo Sardi

Edição e Pós-Produção: TVJ.TV

Arte: Arthur Duarte

Cenografia: Renan F. Borba

Câmeras: Bernardo Sardi e João Vidotti

Agradecimentos:

Angelita Niedziejko

Fred Maram

Guilherme Andrade

Janaína Codato

Juquinha

Kiko Jozzolino

Fábio já gravou outra seleção de músicas no terraço de um prédio em São Paulo, mas sempre com um pouco de mistério, deixa para revelar em breve a primeira música.

Fofo Bernardo Sardi

No final da entrevista ganhei uma flor de jasmim.

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