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Coração londrinense, uma filha para criar, um brechó para organizar e uma faculdade para se formar

Assim que conheci Tati Bafo, logo pude perceber o quanto é comunicativa, cativante e serelepe. Com seu nome verdadeiro guardado a sete chaves, Tati tem 26 anos, nascida em Foz do Iguaçu, mãe da Aolani [quatro aninhos], cursa o último ano de Artes Cênicas na Universidade Estadual de Londrina [UEL] e traz relíquias da ponte que separa o Brasil do Paraguai: Ponta da Amizade.

Esse corre, corre de garimpar peças inusitadas é para alimentar o arsenal de roupas que possui no brechó, Acervo Bafo. Tati é dona de um dos brechós mais requisitado da cidade de Londrina e já esteve presente em vários eventos. “Aprendi que cada coisa tem seu tempo”, depois que foi mãe. “Aquela fase de passar horas se arrumando para sair já passou, hoje sou mais prática”, confessa Bafo.

Fui recebida com muito carinho e descontração no bairro Higienópolis, em uma casa com sapatos, bolsas e bonecas decorando as paredes, além de uma ilustração a lá Michel Ângelo e cintos fininhos de metal. Esses detalhes, ali na sala de estar, confessaram o amor pela moda. Mas quando o chá foi feito, o charme realmente apareceu. Na cozinha, um “puxa-saco” de veludo estampado de oncinha. Com o chá pronto, sentamos na varanda de óculos escuros, vento fresco… o papo começou:

@MNB: Como surgiu a idéia do Acervo Bafo?

#Tati Bafo: “Então Bee, comecei aos 18 anos, ainda no colegial. Meus amigos Gerson Matino, Jhonny Braz e Joyce Hickmann também tinham, e ainda têm, brechós. Aí eles me falaram: – Monta um, Tati. Foi aí que resolvi vender as peças que eu “garimpava” em Foz e passei a trazê-las para vender aqui em Londrina. Aqui, comecei a vender para os amigos e hoje virou isso tudo”.

@MNB: E as reuniões eram feitas onde?

#Tati Bafo: “Eu já participei de algumas edições no Chá das Cinco (espaço que reunia arte, moda e música), também fiz algumas edições aqui em casa. A mais recente participação do brechó foi no Bacanal Cultural, que rolou nesse sábado, dia 09 de abril no @Garagem_Hermética“.

@MNB: Como é selecionar as peças para compor o brechó?

#Tati Bafo: “Ah Bee, como eu vendo as peças para os amigos, para quem gosta, quando vou comprar olho e penso: A essa é a cara de fulano, essa é a cara de sicrano… e trago. É incrível, Bee, mas eu nunca errei uma peça. Eu gosto dessa bagunça de brechó, de ver, fuçar um monte de coisa espalhada por todos os lados, eu gosto disso”.

@MNB: E como é dividir o tempo entre brechó, faculdade e o “ser mãe”?

#Tati Bafo: “É incrível Bee. Eu gosto! Quando cheguei em Londrina, eu já estava grávida da Aolani. Só conheci pessoas maravilhosas nessa cidade que me ajudam muito. E tem minha família que “super” me apoiou também. Não sei o que seria de mim sem minha mãe e meu pai. Com o nascimento da Aolani, nasceu também uma nova versão minha, mais calma, serena, aquela coisa da leoa, sabe, de cuidar do filhote? [O instinto maternal?] É, Bee, sabe, aflorou.E qual era a outra pergunta mesmo Bee?”.  [Risos]

@MNB: Como é manter as peças do brechó e fazer os eventos?

#Tati Bafo: “Então, o meu simples nunca foi o simples da galera. O brilho e o feeling que tenho para moda não mudaram. Eu gosto de consumir, mas faz oito anos que não entro em uma loja. Gosto de brechó porque é uma forma de consumo consciente, uma forma de sustentabilidade, de preservar o meio ambiente. Não pela maternidade, mas por perceber que brechó é muito mais interessante que as lojas convencionais. Tendência passa, Bee, esse negócio de tendência não é comigo. Eu gosto de moda, e moda é o que se usava antigamente, como a sua jaqueta, por exemplo, [eu estava com uma jaqueta curta, floral e com ombros marcantes], é uma releitura da moda antiga, uma resignificação, nunca saiu da moda, tá vendo? Você tá usando! É por isso que eu gosto de brechó. Você vai ver minhas peças e vai entender”.

@MNB: Vamos lá?

#Tati Bafo: “Claro!”

Entre tantas peças a criatividade, não poderia deixar de reinar. Uma de suas invenções, ou releituras da moda, foi costurar um lenço nas laterais e a metade,

metade da parte de cima, onde seria a gola, como se fosse uma kafta transparente. “Tá vendo, Bee, no brechó, você encontra peças únicas, que não prejudicam o meio ambiente e ainda posso dar a minha cara! Às vezes fico pensando como era a pessoa que usava isso e quem será a próxima a usar”. No final das contas, passei a tarde todo me divertindo com o Acervo Bafo.

Agradecimentos:

#Natalia_Turini e  @jmarcosantos

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